11 fevereiro, 2017

Se pudesse escreveria sobre tudo

O quanto eu gosto de escrever é inexplicável. Acredito que escrever libera tantas sensações no meu corpo e mente, que sempre retorno a esse hábito que eu alimento. Pode parecer fútil a algumas pessoas mas eu deixo isso ocupar o meu dia, a minha vida, a minha alma. Eu encaixo as palavras nas grandes linhas, nos espaços, todos em branco. E ao completar, vejo o meu trabalho terminado, reviso e descubro o quanto me expressei por um código de letras, que juntas tornam-se em palavras, com seus significados singulares, mas que novamente unidas têm outro ponto de vista.

É uma lição para vida, sobre a união, sobre a força de um movimento, sobre a vontade de expressar os sentimentos, à procura de alguém que possa se relacionar, simpatizar com eles. Pode ser que demore a chegar a pessoa certa, pode ser que esse código não funcione para você, tudo pode acontecer, mas quando for a hora, você irá perceber que é este o conjunto de palavras que você precisava decifrar.

E quando você é a pessoa que cria o código? O que mais você espera senão que alguém o analise, e depois descubra o que você quis passar. É igual as aulas de português, que a professora analisa o texto do autor, que vivo não está mais, e após analisar ela decifra e deixa claro para seus ouvintes o que o criador quis passar, o que o criador estava pensando. Você não sofre com notas musicais? Por que não sofrer com as letras?

Se o código fora criado para não ser descoberto, o autor deve pensar em cada detalhe. Ao deixar algo difícil de ser decifrado, opiniões distintas, erradas, equivocadas, um pouco fora da realidade; podem ser formadas, e assim a verdadeira opinião, do gerador, a verdadeira intuição, pode ser destorcida e ser usada contra à quem a criou. 

Escrever não é fácil, não é somente pegar palavras do vocabulário, e tentar expressar o que sente, ou o que sua mente repete incansavelmente dentro da sua cabeça. Escrever é arte, é alívio para quem aprecia disso, é o ar que enche os pulmões. Mas dependendo de quem escreve, o ar pode ser limpo ou poluído. Palavras têm força, mesmo sozinhas, quando juntas sua força aumenta. Quem escreve tem que tomar cuidado, uma hora você ajuda, na outra fere.

Lembre-se toda vez que for escrever, que se você pudesse escreveria sobre tudo, mas o tudo está longe, e não é reconhecível. Por isto escreva sobre o agora, e escreva com cautela sobre o antes. Se for astuto o bastante escreva sobre o futuro, mas cuidado, o que você escreve pode se realizar, ou simplesmente ficar onde você deixou. Escrever liberta, mas também prende e depois te dá a chave para se soltar, e dois passos a frente te joga numa armadilha. Escrever é pensar!

Por Edson Lopes
Foto por Marta Bevacqua

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