02 dezembro, 2016

Resenha do Filme - A Hora da Estrela


Antes de começar a resenha, vou deixar o trailer do filme, para que vocês assistam e saibam um pouco mais sobre a história. Ah, e também é importante que vocês saibam que essa resenha foca o filme, e não o livro. Acredito que o livro tem uma profundidade maior do que o filme passa. Mas mesmo assim o filme é realmente muito bom. E também vou avisar que o filme é antigo, 1985, mas não está datado, ainda assim é interessante e da gosto de assistir.



O filme conta a história de Macabéa, interpretada pela atriz Marcelia Cartaxo. Macabéa é uma nordestina que se mudou e agora vive em São Paulo. Ela trabalha como datilografa, e no filme percebi que não é tão boa na função que ela exerce. A empresa que ela trabalha é pequena com o mínimo de funcionários. Macabéa não se arruma muito, e se não fosse à protagonista do filme, acho que não notaria ela, pois ela passa despercebida. Junto com ela, na empresa, trabalha Glória, interpretada por Tamara Taxman, que a meu ver se arruma muito, e seria uma mulher livre de regras, que encontra vários homens, mas que no final está somente a procura de um marido. E dentre esses casos, Glória já realizou seis abortos. A fotografia do filme se mostra presente também, pois como o ambiente é mostrado junto com os personagens dá um tom mais sem vida para o filme, e quando Macabéa é focada, toda essa fotografia ajuda para entendermos o interior do personagem que é tão importante para a trama. Acho importante isso, mostrar algo á mais do que o personagem em si, precisamos saber como é o lugar onde o mesmo trabalha, vive, para sabermos o que ele passa.
Macabéa não tem sonhos, mas tem o desejo de ter um namorado. E quando ela vê Glória falando com vários homens, parece que esse sentimento se aflora um pouco mais. Macabéa vive numa pensão pobre, onde divide o quarto com outras três mulheres, que também são pobres. As três mulheres conversam sobre tudo, se arrumam, falam um pouco mais, e Macabéa fica de fora, e não dá sinal de que quer falar com as suas companheiras de quarto. Novamente a fotografia se torna presente, fazendo com que o cenário passe o que os personagens passam. E tendo essas três mulheres que falam bastante, e se arrumam, conversam sobre namorados e coisas fúteis; podemos perceber ainda mais como Macabéa é reclusa e tende a não se aproximar de outras pessoas, ficando assim de lado.

Glória sempre diz que Macabéa precisa se arrumar e dá a entender que Macabéa esta velha demais para ser virgem. Mas Macabéa encontra um homem, Olímpico, interpretado por José Dumont, que tem grandes ambições e isso o torna rude, sendo grosso com Macabéa, pois ele acha que é mais potente e muito melhor que ela, rebaixando a mesma. As ambições de Olímpico são, por exemplo, se tornar um deputado, mas ele mal sabe o que um deputado exerce. Mas infelizmente como Macabéa é ingênua, e vemos isso durante toda a história, eles começam um namoro. E mesmo assim Olímpico trata ela mal, mas ela parece não se importar, mas acredito que tudo pesa para a auto-estima dela e a deixa num estado de mais reclusão.

Glória está cansada de somente ter casos com homens, porque como eu disse, ela quer casar. Mas não vê outros meios de se arranjar um marido, e então vai atrás de uma cartomante. A que ela encontrou se chama Madame Carlota, que é interpretada pela célebre Fernanda Montenegro, que deixa a sua marca no personagem e isso o torna mais real, e tornando o personagem mais real, a atriz me fez gostar ainda mais do personagem que é tão astuto e inteligente. Glória conta sua história para Madame Carlota, que no final das contas manda Glória roubar o namorado de uma amiga, colega, para que o seu desejo de se casar se realize. Glória que não é boba escolhe seu alvo, e o ataca. O alvo é Macabéa, e então por ironia do destino, algumas coisas fazem com que o premeditado acontece e Glória consegue roubar o rude e grosso namorado de Macabéa.

E por conta disso, Olímpico acaba o relacionamento com Macabéa, que perdida não sabe o que fazer. E ao escutar o conselho de sua “amiga” Glória, que a manda ir atrás de uma cartomante, que é extremamente boa, ela vai atrás da mesma e tenta encontrar um destino feliz para a sua vida. Ao chegar à casa da Madame Carlota, a mesma faz uma espécie de análise da vida de Macabéa, e ao fazer isso deixa claro como a vida da pobre protagonista é sem cor, é esdrúxula. Mas ao colocar as cartas à mesa, Madame Carlota mostra um passado agonizante, um presente que parece que não vai para frente, mas um futuro promissor e magnífico. A cartomante mostra que no futuro próximo Macabéa vai encontrar o homem dos seus sonhos, um gringo bonito e rico, e isso vai mudar a sua vida, e que com ele Macabéa vai se casar. E que quando ela colocar os pés para fora da casa da cartomante, o seu futuro estará o mais próximo possível. Macabéa, que é a nossa heróina feia, mas cativante, sai confiante da casa da cartomante, e na rua compra um vestido de noiva, para esperar a hora de encontrar o seu príncipe encantado. E no único momento de sonho da vida dela, ela se desliga do mundo, e na sua imaginação prevê o futuro maravilhoso que a espera. E ao começar a brilhar igual uma estrela pronta a morrer, e assim explodir e encher o universo, que seria a sua vida, de alegria, Macabéa é atropelada e deixada pelo causador do atropelamento na rua sem seu amor, e sua vida perfeita. Mas é na agonia de sua morte, que a luz da estrela, que estava a emergir brilha ferozmente e assim Macabéa morre, e na sua hora da estrela, mostra que até os mais reclusos e esquecidos, têm os sonhos mais belos e poderosos.

Um final chocante para uma história tão linda. Clarice no seu livro, que não está sendo resenhado aqui, pois esta resenha foca o filme, mostra como sabe estabelecer e criar personagens ótimos. Uma história para se lembrar, e para demonstrar uma forma de protesto contra os preconceitos que a sociedade faz para várias pessoas. Que no caso seriam as pessoas mais pobres, as sem escolaridade, as que são reclusas da vida que poderiam viver. O filme como dito também mostra que mesmo sendo considerado “velho”, tem uma cenografia, fotografia, direção muito boa mesmo. Não podemos esquecer este livro, deste filme, desta história, e deste preconceito que ainda ocorre na nossa sociedade.

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