05 agosto, 2014

[Crônica] A rua da solidão



Ela acordou e sentou na cama, tudo parecia certo. Ela ficou parada sem soltar nem um simples "a" de sua boca. Ela nunca tivera ficado tão quieta e parada assim tanto tempo, ela sempre foi tagarela e não parava de se mexer. Então perguntei a ela sobre aquilo que me deixava com uma questão na cabeça.

- O que houves contigo?

Ela não falava e então eu com um movimento a puxei e vi uma gota cair do rosto lindo que ela tinha. Essa gota me fazia lembrar várias coisas, cada briga que tivemos. Mas ela nunca ficou assim antes. Aquela lágrima respondeu todas as questões que estavam na minha mente naquele exato momento. E então eu pensei. Pensei no que eu tinha feito, no que aconteceu, pensei no ontem, no hoje, e  no amanhã. Mas nada me fez saber o por que daquela lágrima intrigante.

Ela levantou da cama depois de alguns minutos, pegou as roupas que estão na cômoda ao lado da cama. Ela parecia querer me enforcar pois a força que ela jogava as roupas numa mala velha que ela tinha retirado da cama era tamanha. O que eu fiz? Será que eu estraguei tudo de novo? Não pode ser.

Então tudo veio a minha mente, que estava a procura da resposta. Eu não me contentei e chorei, o que eu fiz naquela noite passada foi a última gota. E eu não estava me controlando, não era eu naquele corpo. A bebida me levou para outro mundo, e a pessoa que eu mais amava estava do meu lado, e envolta de nós dois estavam nossos amigos de infância. E eu fiz ela passar vergonha, eu deixei ela sofrendo. Mas uma pergunta veio ao meu pensamento vago. O por que ela estava na minha cama? Então eu perguntei.

- Por que tu estavas na minha cama, se eu fiz tudo aquilo que te envergonha?

E ela parou de socar as roupas na mala e disse:

- Eu te amo e queria passar essa última noite com você! Não fizemos nada, eu cuidei de você, te fiz ficar melhor. Por que você estava num estado que não pensei que se chegava lá. Eu te ajudei, estendi minha mão para você todos os dias em que você fazia uma porcaria. E quando eu precisei você fechou sua mão e renegou-a para mim, me envergonhou e me feriu. Aquilo que tu fizeste comigo não tem perdão. Eu só queria te falar uma coisa, pense em sua vida.

Ela saiu e naquele momento escutei o barulho do carro e vi pela janela ela sair. E tudo parou, eu não entendo, eu não posso suportar. A dor que está comigo não saíra. Eu pensei em minha vida e resolvi mudar. Mas sera que ela vai me aceitar novamente?

" Tudo o que tu faz existe consequências, e essas consequências seriam boas que tu fizeste coisas boas, mas tu não fez, e agora está a andar na rua da solidão, da tristeza. E dai nunca mais sairá"
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